“Use o Assento Para Flutuar”

“Use o Assento Para Flutuar”, do grupo Cia de Dança de São Paulo/SP, fez a platéia do Teatro Violeta Arraes fixar os olhares no palco, estendendo-se por cinquenta minutos de concentração, fazendo surgir questionamentos sobre  o que acontecia em cena.

E foi com aplausos calorosos e uma boa conversa entre a platéia e Naiá Delion, foi como  se concluiu a programação do dia 15 de novembro da 12ª Mostra SESC Cariri de Cultura. Em seguida, em conversa com Naiá, tivemos a oportunidade de conhecê-la um pouco mais, como também o seu trabalho.

Naiá Delion - “Eu me chamo Naiá, sou de São Paulo, mas moro no Rio de Janeiro a três anos, e estou fazendo o Espetáculo “Use o Assento para Flutuar” e esse trabalho tem dois anos já, que apesar de está dançando sozinha, ele foi feito por muitas pessoas. Antes de tudo eu acho que é um trabalho de várias pessoas, apesar de está sozinha no palco é uma pesquisa que eu venho fazendo. Ele começou durante um período que estava em Rio de Janeiro, participando de um programa de residência ártica, que é um programa onde fica muito tempo todo mundo trabalhando junto e a ideia inicial desse trabalho foi a partir desses encontros, com todas essas pessoas, essas convivências, entre os artistas, que é quando você está numa residência  artística. A convivência é algo muito forte, então, o desejo pra fazer este espetáculo foi de pegar as experiências que eu estava tendo com essas pessoas e fazer algo a partir disso, eu escolhi coisas, músicas pessoas, conversas, textos, coisas que eu vinha trabalhando, juntei tudo e fui lapidando, coloca aqui, coloca ali, combinando as coisas para criar esse trabalho, ele não é um trabalho que tem um tema específico, ele não tem uma história, ele é um trabalho bastante físico, eu fui resolvendo muitas coisas no meu corpo, não tem uma história pra contar, ele tem encontros meu com outras pessoas que passaram por esse processo junto comigo. Se eu puder falar alguma coisa sobre o tema do espetáculo acho que é a relação que a gente tem com a vida. Eu trabalho muito com a dança, e como que eu uso a dança pra falar das questões que são de todo mundo? Da existência da vida? Eu acho que tem haver com isso, com a essência de estar vivo. Eu acho que a grande questão deste trabalho é como resolver as coisas no corpo, a opção por não usar uma luz não é elaborada, a opção por tirar as coxias, a opção por não descer do palco, de não ter música, pouca música, eu acho que esse é o ponto forte do trabalho, ele é todo resolvido no corpo, eu procurei muito não buscar coisas que não tivesse aqui palpável, que pudesse virar movimento, que pudesse virar encontros.”