Zero

“...A Mostra do Cariri, mostra o Cariri, mostra o Cariri... Eu vou pra lá, eu pra lá... o melhor do teatro tem lá...” E é em ritmo de alegria que recebemos mais um grupo para integrar essa onda de cultura trazida através da Mostra SESC Cariri de Cultura, que apresenta o espetáculo, Zero, do grupo Cia de Mevitevendo, vindo da cidade de São Paulo – SP.

A criançada riu,  se divertiu e interatuou com os personagens do espetáculo “Zero”, que conseguiu trazer a todos o sentimento de uma criança que teve uma infância sem brincadeiras, sem vida. Depois de adulto, o então Sr. Z, sofria ainda com a ausência dos tempos que foram roubados na sua infância, vivendo assim em seu universo próprio e espetáculo levou os pequenos e os já crescidos a uma bela viagem pela vida do Sr. Z. Concluída a apresentação, os desenhistas da Casa Grande Editora Momô, Felipe e Danilo, desenharam uma cena do espetáculo, com os quais presentearam os atores. Conversamos com um dos integrantes do grupo e ele nos contou um pouquinho sobre surgimento do grupo e do espetáculo.
“Meu nome Cleber Laguna, eu sou da companhia Cia de Mevitevendo de São Paulo.  Nossa companhia nasceu no Rio Grande do Sul em 1989, ainda fazendo teatro amador dentro da escola, depois fomos fazer uma faculdade de artes cênicas e passamos por o movimento de teatro universitário, estudamos uns quatro anos e meio e depois fomos para São Paulo. Nos somos uma companhia gaúcha que mora em São Paulo há 13 anos, e nesses 13 anos nós nos dedicamos exclusivamente ao teatro de animação, só fazemos isso, vivemos disso e para isso. O espetáculo de hoje se chama Zero e é uma adaptação livre do conto Hans Cristian Anderson, que se chama o Rouxinol e o Imperador. É uma adaptação, nós cortamos personagens, criamos outras situações, mais o esqueleto da história é fundamental então a gente preservou. O Sr. Z é um adulto que não cresceu, mais que ao mesmo tempo não teve infância, ele não foi criança quando deveria ser e depois de grande ele é meio infantil. Na verdade ele foi podado eu acho, tiraram a fantasia dele, não o deixaram brincar, que é algo fundamental para o ser humano: a brincadeira. Ele foi podado e depois disso ele ficou meio fechado pra vida em si, para os sentimentos, pra fantasia. Também, o fulano que é o criado dele, a aquele que faz todas as vontades dele, como não existe nada natural, sol, lua, nuvens, o fulano é responsável por isso. Digamos que ele tem uma oficina e cria todas esses elementos pro Sr. Z, pra esse mundo que acaba construindo pra ele próprio. E tem também o Rouxinol, que é o pássaro que aparece, que é o elemento natural da história, que traz o canto dele e a partir do canto dele ele transforma a vida do Sr. Z. E tem a Morte que no final aparece pra ele. E a partir do Rouxinol ele se transforma, acho que ele retoma o sentimento, a brincadeira, pra vida dele.”