A equipe mostrou a Fundação como um contraponto ao tráfico de fósseis na Chapada do Araripe

 

Recentemente a Fundação Casa Grande foi visitada pela equipe do National Geographic Channel, canal de TV que, assim como a conceituada revista de mesmo nome, desenvolve reportagens sobre “o mundo e sobre tudo o que há nele”.  Geografia, expedições, cartografia são temas constantes das publicações.
Em viagem à Chapada do Araripe, onde gravaram uma matéria sobre o tráfico de fósseis, a equipe optou por mostrar a Fundação Casa Grande como um contraponto a depredação do patrimônio material e imaterial da humanidade, vista na região.
Na entrevista abaixo, o fotógrafo e jornalista especializado em meio ambiente André Pessoa conta um pouco sobre a experiência da equipe em sua passagem por Nova Olinda.

 

Qual o objetivo da equipe da National Geographic Channel ao visitar a Casa Grande durante uma matéria sobre tráfico de fósseis na Chapada do Araripe? 

O objetivo foi mostrar que na região não existem apenas coisas negativas, e a Casa Grande é a prova disso.  Com o trabalho de vocês as novas gerações não irão mais para o tráfico de fósseis ou para o trabalho degradante das minas de pedra Cariri. Com as lições da Casa Grande acredito que o futuro deles seja de sonhos, realizações e muito sucesso. Todos da equipe da National Geographic Channel ficaram emocionados com o trabalho de vocês – parabéns. 

Nessa passagem de vocês pela região dos talhos, o que mais impressionou?

A beleza da região da Chapada do Araripe e sua floresta - a primeira do Brasil a ser preservada. Isso é bacana, pois antes mesmo de se pensar em proteger a Amazônia, no Ceará já existia uma Floresta Nacional. Também gostamos muito das pessoas que vivem na área, e de todo o trabalho da Casa Grande. A Rosiane e o Alemberg foram visionários ao descobrirem todo o potencial das crianças do Ceará.
 
Com o olhar de fotógrafo e jornalista, como você vê a imagem do Cariri nos meios de comunicação? Ainda é uma terra desconhecida, há interesse em pautas sobre a região?

Ainda existe muito preconceito, mas as revistas e jornais do sudeste já começam a aceitar pautas positivas sobre a região. Antes, tudo era relacionado com a seca, pobreza, subdesenvolvimento, e agora projetos lindos e positivos como a Casa Grande, a Chapada do Araripe, o Geopark e outros já começam a emocionar os editores. A questão cultural da região também é muito forte, as festas, danças, comidas, etc..

 

A Casa Grande possui uma vocação muito direcionada para o turismo, que acaba refletindo nas comunidades ao redor. Diante do que vocês apuraram sobre tráfico de fósseis, você acha que o turismo poderia ampliar este problema, ou remediá-lo, sendo outra fonte de renda para os homens do talho?

Isso mesmo. Acho que somente através do turismo, de ações positivas como a da Casa Grande, de cultura, de conscientização, é que vamos acabar com o tráfico de fósseis, com o trabalho degradante, infantil ou não. Acho que devemos cada vez mais trazer pessoas que desejem conhecer de verdade a região, pois elas serão disseminadoras de uma nova consciência, de um novo tempo. Sem o turismo ou qualquer ou outras opções de renda, emprego, trabalho, cultura, educação, o futuro será o mesmo de sempre: tráfico, seca, analfabetismo. Nesse aspecto, a Casa Grande plantou uma semente que certamente dará seus frutos em breve, e alguns desses frutos nós conhecemos aí com todas essas crianças lindas e inteligentes. Eu, particularmente, me emocionei e fiquei com lágrimas nos olhos. Parabéns e contem comigo para divulgar o trabalho de vocês pelo mundo inteiro, como esse programa vai fazer.
Vamos levar a imagem positiva do Ceará e da Casa Grande para mais de 100 países do mundo.

 
Revista National Geographic
 
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